Argentinos empacotados

Segue o artigo que publiquei nesta quinta-feira no Globo A+, o vespertino do Globo para iPads:

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Argentinos empacotados

Restrições do governo à compra de dólares fazem nossos vizinhos utilizarem cada vez mais agências de viagens para sair fora do país

No mundo inteiro, turistas mais habituados viajam por conta própria, sem o uso dos serviços de agências de viagens. Mas na Argentina, atualmente está ocorrendo o contrário: graças às medidas de restrição à compra de dólares imposta pelo governo de Cristina Kirchner, cada vez mais os argentinos “mais espertos” têm utilizado pacotes de viagem para sair do país. O motivo? Pagar turismo no exterior em pesos, sem a necessidade de trocar valores para o dinheiro dos locais onde se pretende viajar, algo cada vez mais difícil no país.

Essa iniciativa afeta uma tradição argentina: a viagem de carro pelo Uruguai, Chile e Sul do Brasil. Mas, ao menos, mantém viva parte desta verdadeira febre nacional que é migrar nos meses de verão para praias melhores que as encontradas em solo nacional. Embora prejudique a viagem por conta própria – principalmente quem tem casas em locais como Punta del Este, no Uruguai, ou na praia de Canasvieiras, em Florianópolis –, os pacotes viabilizam o turismo.

Os pacotes estão, inclusive, cada vez mais completos e incluem todas as refeições, mesmo quando os destinos não contam com resorts onde este tipo de serviço é all inclusive. Isso impede, muitas vezes, a liberdade de se conhecer um restaurante, mas para muitos argentinos é a única opção. Os problemas não se restrigem ao estreito limite da compra de dólares, euros ou reais pelos argentinos: na prática, muitas vezes, a Receita Federal argentina (a Afip) proíbe a compra de dólares mesmo dentro deste limite, sem nenhum motivo. E, alguns funcionários chegam, inclusive, a indicar o mercado negro.

Mas a opção pelos pacotes é melhor que o câmbio negro. Além de pagar em pesos – algumas vezes de forma parcelada – as empresas de turismo fazem a conversão pelo câmbio oficial, muito mais em conta que no mercado paralelo. Mesmo o uso de cartão de crédito no exterior, que agora é sobretaxado em 15%, fica mais barato que o câmbio negro. Os argentinos ainda não estão se arriscando a pagar em pesos no exterior, mas acreditam que em pouco tempo comerciantes do Chile, Uruguai e do Brasil aceitem a moeda argentina, ainda  nestes meses de verão. Entretanto, eles temem que, por conta das dificuldades, as taxas de conversão sejam muito prejudicadas.

Segundo recente artigo de Natalia García no jornal “La Voz”, as restrições à compra de dólares irão forçar os argentinos a fazerem suas viagens com pesos, mesmo que isso signifique perda em função da variação cambial. Para se ter uma ideia, àqueles que viajarem hoje com moeda nacional argentina rumo ao Chile irão receber o equivalente a 77 pesos chilenos para cada peso argentino, enquanto em 2011 taxa de câmbio era de 115,12 pesos chilenos para cada peso da Argentina. Na troca pela moeda brasileira, os argentinos recebem R$ 0,43 por um peso.  No Uruguai, onde cerca de 2 milhões de hermanos costumam passar suas férias, a taxa cambial também sofreu variações: hoje, um peso argentino equivale a 3,61 pesos uruguaios, no ano passado um peso argentino comprava 4,46 pesos uruguaios.

Para Alessandro Macedo, vice-Presidente de Marketing e Eventos Associação Brasileira de Ag}encias de Viagens (ABAV), a crise na Argentina pode beneficiar o Brasil. Macedo avalia que o baixo custo de deslocamento em função da proximidade e das facilidades oferecidas pelos operadores brasileiros, que já perceberam que é preciso criar atrativos não apenas turísticos mas também econômicos para atender as necessidade atuais dos argentinos, como pacotes mais completos, issobtende a garantir um maior fluxo de hermanos no Brasil.

“A Argentina é o principal mercado emissor para o Brasil já há alguns anos. Acreditamos que o agravamento da crise argentina faça com que essa procura aumente, uma vez que a proximidade e consequentemente o menor custo para deslocamento nos torna mais atrativos do que a Europa e os USA”, explicou Marcelo, que ainda destacou que aumentaram os pedidos de pousos de voos charters no Aeroporto Hercílio Luz, em Florianópolis, bem acima da média de anos anteriores.
O vice-presidente de Marketing e Eventos da ABAV destaca que ainda é cedo para projetar o comportamento do mercado turístico da Argentina, mas lembra que a Embratur vê o país vizinho como prioridade na divulgação de pacotes e roteiros.

Ao que tudo indica, os argentinos conseguirão, com um pouco de criatividade, garantir mais um verão em praias estrangeiras. Mas como a criatividade também é presente na Casa Rosada, muitos temem que o cerco se feche ainda mais, o que tornará até mesmo os países vizinhos um sonho distante para uma população que sempre se orgulhou de viagens ao exterior.

 

PELA REGIÃO COM O GDA

México

País poderá ter trem-bala

O México está iniciando estudos para ter uma linha de trem de alta velocidade entre a Cidade do México e a cidade de Querétaro. Segundo o jornal “El Universal”, o projeto de 218 quilômetros entre as duas cidades está em elaboração. Segundo o jornal, as obras para a nova ligação poderiam começar ainda em 2013.

Uruguai

Luta contra preços altos na gastronomia

A ministra do turismo do Uruguai pediu que os empresários não exagerassem nos preços dos alimentos durante a temporada de verão, quando o país fica cheio de turistas. Segundo o jornal “El País”, a ministra pediu responsabilidade para que o país não fique caro demais aos turistas. Entre janeiro e setembro entraram no país 2,095 milhões de turistas, cerca de 60 mil a mais que no mesmo período de 2011. Nestes nove primeiros meses de 2012 foram 288.692 brasileiros, contra 312.324 há um ano.

Venezuela

Produção de batata cai 20% em quatro anos

O jornal “El Nacional” informa que a produção local de batata caiu 20% em quatro anos. Segundo dados da Fundação de Desenvolvimento e Promoção dos Andes, os problemas começaram quando o governo federal estatizou diversas empresas agropecuárias e centralizou a importação de sementes no país.

Fonte: GDA – Grupo de Diarios América

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